Projecto

Procurar no texto: Rupturas, Emoções e Sentimentos e Desigualdades de Género
Coordenador: Manuel Gaspar Silva Lisboa
Investigadores: Danielle Carvalho Capella
Maria Isabel de Chagas Henriques de Jesus
Ricardo Martins da Silva Santana
Sara Dalila Aguiar Cerejo
Zilia Maria Brandão Osório de Castro
Investigadores Não Pertencentes ao CESNOVA:

Jorge Crespo (FCSH-UNL)

Resumo:

A origem deste estudo situa-se na existência de um problema social em Portugal, com uma prevalência elevada, relacionado com a violência contra as mulheres, com implicações no desenvolvimento da democracia e se traduzem em custos sociais, económicos e pessoais elevados, e já estimados. Apesar das medidas tomadas ao nível das políticas públicas dos últimos 10 anos, no combate a este tipo de problema, a violência continua com uma prevalência elevada, a grande maioria das vítimas silencia a vitimação. Os últimos estudos mostram que a mudança sustentada implica a articulação de medidas de curto prazo, de combate e protecção das vítimas, com medidas de médio e longo prazo, de prevenção e com incidência nas gerações futuras. Falta conhecimento científico que responda às interrogações desta última abordagem. O presente estudo surge como uma etapa no aprofundamento do conhecimento realizado pela equipa proponente deste projecto nos últimos treze anos, sobre os factores que contribuem para a produção e reprodução da “violência de género”, particularmente em relação às mulheres, e cujos resultados, além da originalidade do conhecimento científico produzido, têm tido impacto assinalável nas politicas públicas nacionais e, mais recentemente, do Conselho da Europa. Destacam-se o primeiro estudo de âmbito nacional sobre a “violência contra as mulheres” (1995), os “custos sociais, económicos e com a saúde (2002, 2005, 2006), a “violência extrema”, participada aos Institutos de Medicina Legal (2003), “violência de género”, (2007 e 2008). Pretende-se agora compreender os factores socioculturais que condicionam a acção dos actores sociais no contexto da violência, em particular a reacção das vítimas. Partimos da hipótese que tal acção é fortemente condicionada por valores, modelos, estereótipos e papéis de género, interiorizados sob a forma de “emoções sociais” e “sentimentos”. Este estudo situa-se na confluência de 4 áreas disciplinares: Sociologia (Género, Violência, Emoções e Acção Social), História, Psicologia e Neurociências. Tem como principais objectivos: -Identificar e analisar as “emoções sociais” e “sentimentos” presentes nas mulheres vítimas, particularmente a “vergonha” e a “culpa”, que condicionam a sua acção face aos actos de violência. - Identificar e analisar as variáveis e indicadores que lhes estão associados e compreender de que modo a sua articulação com tais emoções e sentimentos condicionam acção dos actores. - Compreender de que modo as emoções e sentimentos se foram produzindo e interiorizando nas condutas dos actores, ao longo da sua trajectória de vida. Dar-se-á atenção à relação entre os processos de socialização desde a infância. - A análise das variáveis dependentes, relativas às acções e às emoções e sentimentos, em função da idade, estado civil e nº de filhos, nível de instrução formal, actividade profissional, trajectória ocupacional, estruturação do campo social e estilos de vida. -Comparar as vítimas que têm uma reacção explícita aos actos de violência (legal ou outra) e as que silenciam a sua vitimação. - Analisar as permanências e mudanças ocorridas na “longa duração”, em relação aos valores, modelos e estereótipos de género, bem como às emoções sociais e sentimentos anteriormente modificados. As situações de casamento e divórcio merecerão uma particular atenção. Serão privilegiados os principais momentos de ruptura política e social ocorridos em Portugal no último século e meio: 25 de Abril de 1974, com a consequente análise do período posterior e do Estado Novo; 1ª República; e Liberalismo. - Compreender de que modo diferentes contextos espaciais estão associados à produção e reprodução dos mesmos aspectos (valores, modelos, estereótipos de género, emoções e sentimentos), com destaque para a comparação entre os espaços urbanos e rurais. A produção do conhecimento novo far-se-á a partir da análise da relação entre “estrutura social” e “acção”, vistas na longa duração e onde as crises/revoluções são entendidas como “janelas” para observar as dinâmicas sociais, no que produzem e reproduzem. Seguir-se-á uma estratégia de investigação sistémica e interdisciplinar, que permita a análise comparativa, e também ao longo do tempo.

Palavras-chave: Desigualdade; Emoções; Sentimentos; Conflitos; Género
Grupos de Trabalho: GT4 - Dinâmicas, Identidades e Acção Social,
Data de ínicio: 01 de Junho de 2009
Previsão de fim: 29 de Fevereiro de 2012
Parcerias:

CESNOVA, FCSH-UNL

Entidades Financiadoras:

Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT)

Referência: PIHM/VG/0134/2008

18 de Dezembro 2012

 
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