Projecto

Procurar no texto: Meios de Comunicação Comunitária enquanto Instrumentos Dialógicos de Ação Dialética
Coordenador:
Investigadores: Eveline Alves da Silva
Investigadores Não Pertencentes ao CESNOVA:
Resumo:

O presente trabalho traz uma síntese teórico-empírica acerca dos fundamentos do dialogismo e da dialética. Pretendemos discutir algumas das dimensões mais relevantes da ligação entre esses conceitos, no que concerne às relações discursivas que marcam as manifestações de comunicação praticadas pelas rádios comunitárias no Brasil. Centramo-nos sobre aspectos estruturais das conceituações e sobre o funcionamento pragmático-comunicativo da interatividade, mecanismo que pressupomos ser sistematicamente usado por esses meios.
Epistemologicamente, buscamos analisar em que medida essas agências podem constituir-se enquanto meios dialógicos, contribuindo assim para uma interatividade dialética entre locutores e ouvintes. A partir daí tentamos tecer um panorama do real enquadramento dessas rádios em comunidades com baixo índice de desenvolvimento social, aí incluídos, principalmente, os aspectos econômico e educacional.
As rádios comunitárias foram criadas no Brasil com o propósito de difundir ideias, culturas e hábitos sociais dessas populações, permitindo-lhes o exercício da livre expressão. Contudo, nossa pressuposição inicial era a de que essas rádios não vinham, de forma efetiva, cumprindo essas metas. O que estariam então fazendo essas agências? Que tipo de comportamento estariam adotando?
Apesar de consideradas como das principais ferramentas de interação social e canal de abertura para a participação crítico-reflexiva, nem todas essas emissoras podem dizer-se ativos instrumentos para a dialogia e a dialética, apesar de carregar, em teoria, esses princípios. Há, entretanto, as que tentam cumprir esse papel e as que acabam por reproduzir de forma sistemática, e tosca, os meios comerciais nas quais se espelham.
Como promotores de uma educação popular conscientizadora, eles têm total liberdade para construir suas programações baseadas na interatividade e alteridade junto ao ouvinte. Todavia, algo acontece no decorrer do processo de funcionamento desses meios que os tornam ineficazes, ou parcialmente ineficazes, na busca pelas metas sugeridas em seus princípios.
Pretendendo encontrar esse ponto de desequilíbrio, analisamos a programação de três rádios: a Alto Falante, a Nova Líder FM e a Amparo FM. Essas agências foram escolhidas por terem tipologias, propósitos e regularização/funcionamento diferentes entre si, requisitos que terminam por preencher lacunas representativas das várias rádios desse segmento que atuam no Recife, capital pernambucana. Para o trabalho de análise, focamos as dimensões do controle, gestão e realização das rádios e suas respectivas programações, observando a proposta de interatividade e o conteúdo da emissão.
Para finalizar, pretendemos apresentar algumas proposições a respeito da relação do discurso realizado nos programas e entrevistas analisados com a dialogia e a dialética. Obviamente que - e pelo que esperamos dos leitores -, se ao dialogarem com esse trabalho, assumirem uma perspectiva dialética, essas considerações finais não poderão deixar de ser refutadas.

Orientação: Professor Doutor Miguel Chaves

Palavras-chave:
Grupos de Trabalho: GT3 - Mundos sociais, trajectórias e mobilidades,
Data de ínicio: 2010
Previsão de fim: 2013
Parcerias:
Entidades Financiadoras:

Projecto de Doutoramento na FCSH-UNL com bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia (SFRH/BD/62351/2009)

18 de Dezembro 2012

 
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