Projecto

Procurar no texto: Individuação e Reconhecimento. Processos de Socialização Política na Incerteza dos Itinerários Escolares
Coordenador:
Investigadores: Pedro Jorge da Costa Caetano
Investigadores Não Pertencentes ao CESNOVA:
Resumo:

As preocupações com a cidadania e a socialização têm proliferado nos discursos políticos e na literatura das ciências sociais nos últimos trinta anos, o que é particularmente notório nos estudos consagrados à educação para a cidadania e à socialização política dos jovens. O propalado desinteresse dos jovens pela participação política é encarado como um sinal pessimista do advento da democracia nos países mais industrializados. Em Portugal, essa inquietação governou as últimas reformas curriculares do ensino básico e do ensino secundário: em 2001, com a introdução da disciplina obrigatória de educação para a cidadania nos três anos de escolaridade do ensino básico; em 2011, com a introdução da disciplina obrigatória de formação cívica no currículo do 10º ano de escolaridade. Estas alterações curriculares, no nosso entender, não devem ser vistas como simples reacções espontâneas suscitadas pelos acontecimentos políticos que acompanharam a emergência de uma «Nova Ordem Mundial», mas, ao invés, elas devem ser entendidas como fazendo parte de um conjunto de acções políticas expressando a crise da experiência da «modernidade liberal alargada» (WAGNER, 1996; RESENDE, 2003, 2010).

Acresce que as preocupações políticas com a legitimidade das instituições políticas reforçam as preocupações políticas com a ordem social. Neste particular, as medidas legislativas no domínio da educação política dos jovens e das crianças têm como objectivo reforçar as competências políticas e sociais destes actores, os quais são encarados na sua dupla condição de agentes “menores”: desprovidos de comportamentos de previsibilidade social e ignorantes dos mecanismos de funcionamento das instituições. Por este ponto de vista, os jovens, imaturos e sem as referências cívicas e de autoridade, constituem-se como presas fáceis de uma «tirania da maioria» (PASQUIER, 2005).

O nosso propósito visa propor um esquema analítico de inteligibilidade do quadro normativo que regula as relações entre os jovens no espaço comum da escola, dentro e fora da sala de aula, apoiando-nos para o efeito nos julgamentos dos actores sociais no seu quotidiano escolar. Pretendemos, com efeito, aquilatar das efectivas competências políticas manifestadas pelos jovens, centrando-nos, para tal, nos diversos processos de socialização política que suportam a sua experiência na escola, distribuída por vários cenários.

Seguindo uma tradição sociológica que remonta a DURKHEIM (ed. orig. 1893, 1984) e a WEBER (ed. orig. 1913-1920, 2003), atravessa a obra de GOFFMAN (ed. orig. 1974, 1991) e que culmina na sociologia pragmática de BOLTANSKI & THÉVENOT (1991), procuraremos discernir a ordem social e política na natureza social dos contextos que governam as relações das pessoas.

De modo a podermos suportar esta perspectiva apoiamo-nos numa metodologia diversificada, a qual tanto privilegia a análise extensiva como a análise intensiva, na recolha e tratamento dos dados. As unidades de análise serão os alunos do ensino secundário público de três escolas da Área Metropolitana de Lisboa, a frequentar o 10º e o 12º ano de escolaridade.

Orientador: José Manuel Vieira Soares de Resende

Palavras-chave:
Grupos de Trabalho: GT3 - Mundos sociais, trajectórias e mobilidades,
Data de ínicio: 2010
Previsão de fim: 2013
Parcerias:

CESNOVA, FCSH-UNL

Entidades Financiadoras:

Bolsa de doutoramento pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, com a referência: SFRH/BD/44303/2008

18 de Dezembro 2012

 
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